Por André Machado
Como transformar seu computador numa fortaleza quase inexpugnável?
O “quase” vai por conta da afirmação
que todo perito em segurança de TI conhece: não
existe software perfeito. Dito isso, consultamos Alexandre
Freire, especialista em segurança sênior
da Schlumberger Information Solutions, para saber como se preparar
antes de mergulhar de cabeça na rede.
— No ambiente Windows XP, o mais usado atualmente, o usuário
deve ativar todas as ferramentas de segurança que vêm
nativas no sistema operacional — diz Alexandre.
— Primeiro, o update automático deve ser ativado,
para que o sistema se conecte ao site do Windows Update e atualize
todos os patches (“remendos”) de segurança.
Além disso, o Windows possui um firewall pessoal, o Internet
Connection Firewall, que trabalha com filtro de pacotes.
— Por default, ele já vem com tudo bloqueado, e
o usuário precisa especificar os tipos de serviço
que deseja aceitar, como usar POP3 para verificar email, utilizar
FTP para transferência de arquivos e assim por diante —
diz Freire.
Além disso, todas as configurações de segurança
que ficam no Painel de Controle (System Security) devem ser levadas
em conta. A personalização de senhas e contas é
um bom exemplo.
— Em geral, as pessoas nem usam senha no PC de casa, mas
isso deve ser feito.
A lição n 1: saber se valer do próprio
Windows
Freire diz que todos os membros da família
devem ter seus perfis definidos no sistema, com logon e senha.
Também é importante desabilitar as contas “guest”
e “administrador” do sistema operacional, as mais
exploradas em tentativas de invasão (justamente por serem
comuns em todos os tipos de sistemas).
É preciso ainda ativar a característica do sistema
que lhe permite criticar uma senha fraca criada pelo usuário
(com poucos caracteres, fácil de deduzir, e assim por diante).
E configurar o Windows para aceitar senhas com um número
mínimo de oito caracteres, (com números e letras
misturados, de preferência).
— É fundamental trocar de senha periodicamente.
Tem de haver um prazo. Ninguém gosta, mas é preciso.
De preferência, 30 dias. No máximo, 60 dias —
diz Freire.
Deixe o sistema avaliar as senhas, para evitar as fracas
Outra boa dica é manter ativa a função Unique
Passwords, em que o Windows lembra as últimas senhas utilizadas
e não deixa o usuário bolar uma nova parecida com
elas. Freire lembra ainda que nunca,
jamais, em tempo algum se deve usar a mesma senha para PC, programas,
webmail, logon no trabalho... É um tiro no próprio
pé. E, se você trabalha numa máquina em rede,
compartilhada, e está na internet, dê uma olhada
nos logs do sistema para ver se há tentativas de invasão.
— De repente, o usuário encontra uma conta “joãodasilva”
com diversas tentativas de logon bloqueadas. Isso quer dizer que
alguém está tentando entrar no sistema com essa
conta, cuja existência dentro da máquina foi detectada
por elementos externos. O passo seguinte é desabilitar
tal conta.
Existem ainda programas que, instalados no micro, deixam suas
próprias contas de sistema dando sopa.
— Muitas vezes alguém instala, digamos, um web server
pessoal e mais tarde, ao desinstalá-lo, a conta do software
permanece no PC, na lista de usuários. Ela deve ser desabilitada,
pois é um tipo de conta conhecida e visada. Quando alguém
quer atacar o sistema, procura logo as contas usuais do próprio
SO ou de aplicações. Olho vivo, pois.
Deve-se igualmente desabilitar o que não se usa. Há
vários programas rodando num sistema. Se você não
tiver impressora, para que manter funcionando os serviços
de impressão? Quem não tem compartilhamento de arquivos
numa rede local não precisa se valer do NetBIOS; assim
não se permite o serviço browser que acessa dados
compartilhados.
— Esses serviços que não estão sendo
usados expõem a máquina desnecessariamente —
diz Freire. — Poucos são
os usuários de PCs conectados a banda larga que mudam as
permissões de acesso aos arquivos. É preciso remover
aquela permissão default de “controle para todo mundo”.
Pelo menos nos arquivos de trabalho e mais pessoais, deve-se controlar
o acesso ao diretório onde tais arquivos se encontram.
Também é uma boa idéia criptografar arquivos.
Ou usando o próprio encriptador do Windows, o EFS, ou o
PGP, que trabalha com chave pública e privada. O Cypher,
da Oasys, também é ótima pedida.
— Eu criptografo todos os meus arquivos confidenciais no
notebook com ele — diz Freire.
— A chave pública fica no computador e a privada,
num token. Um documento .doc ganha extensão .doc.pgp, e
eu apago o arquivo original de minha máquina. Uso PGP igualmente
no email, para autenticar e garantir a integridade dos dados.
Segundo o especialista, o PGP também oferece a possibilidade
de criar um volume virtual criptografado, via PGP Disk. Com uma
“fast frase” (código especial), o usuário
pode montar, quando o sistema operacional é inicializado,
um disco virtual onde podem ser armazenados com segurança
arquivos com informações delicadas.
Os passos aqui descritos representam um primeiro nível
de segurança em sua fortaleza virtual. A cereja do bolo,
aqui, é testar a segurança do sistema com o MS Baseline
Security Analyzer, que vale a pena baixar, especialmente se há
PCs em rede em casa. Com ela, faz-se um scan periódico
nos micros e apontam-se as vulnerabilidades dos usuários
presentes na rede local e os controles/patches ainda não
aplicados.
Depois da camada de segurança no sistema operacional,
vem a camada dos aplicativos. Entra aí o antivírus
— na verdade, segundo Freire,
hoje uma verdadeira suíte com o software contra códigos
maliciosos propriamente dito, firewall, filtros de conteúdo
e o escambau.
Ele usa a Internet Security Suite da McAfee, e diz que ela se
porta muitíssimo bem, mas recomenda o ZoneAlarm, cuja softwarehouse
foi recentemente adquirida pela Checkpoint. A suíte de
segurança ZoneAlarm tem, segundo Freire, três características
muito interessantes.
1) Um antispam muito eficiente, que bloqueia até phishing
(aqueles emails que chamam o usuário, por exemplo, inserir
dados bancários para “recadastramento” e os
levam a sites de crackers), enviando os emails indesejados para
uma pasta à parte e comparando-os com os que chegam para
fisgar os mais suspeitos.
2) Um filtro de conteúdo da camada de aplicações
baseado no Firewall 1 da Checkpoint, que faz uma inspeção
completíssima.
3) Capacidades de proteção a conteúdo e
comunicação através de um plugin simulando
uma VPN e criptografando até instant messaging (em diferentes
serviços).
— As mensagens instantâneas estão entre os
tráfegos mais farejados pelos crackers na rede, daí
a importância desta característica.
Por fim, o consultor alerta para os perigos da própria
navegação. Cuidado com aqueles sites com “trocentos”
popups — no meio deles pode haver um em que o usuário
clique desavisadamente e babau, entra um spyware na máquina.
Sintomas de spyware
Os computadores pessoais com spyware instalado podem apresentar
sintomas como estes, segundo Alexandre Freire:
PÁGINA INICIAL DIFERENTE: A home page, sem mais nem menos,
é mudada para outra página com um serviço
desconhecido de busca, por exemplo.
ANTISPYWARES AFETADOS: Os programas antispyware ficam lentos
e passam a dizer que lhes faltam alguns arquivos.
FAVORITOS? QUE FAVORITOS? Surgem, nos Favoritos do browser, itens
que você não pôs lá.
COMPUTADOR DEVAGAAAR: Lentidão na máquina é
um sintoma clássico. Para conferir o que a causa, dê
Ctrl+Alt+Del e, no Gerenciador de Tarefas (Task Manager), veja
a parte de Processos. Se achar alguns estranhos ao sistema, com
perto de 100% de uso, isso é sinal de spyware.
BARRAS ESTRANHAS: Surgem no Internet Explorer barrinhas de busca
que você não instalou.
E ATENÇÃO: Tudo isso, segundo Alexandre
Freire, são sintomas de spywares que denotam
sua presença. Os mais sofisticados não costumam
deixar traços. O especialista dá uma boa lista de
programas para combatê-los: PestPatrol <www. pestpatrol.com>,
AdAware <www.lavasoftusa.com/soft ware/adaware>, Spybot
Search & Destroy <www.sa fer-networking.org/en/ho me>
System Detective <www.systemdetective. com> e X-Cleaner
<www. xblock.com>.
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