Por Marlos Mendes
Sem fio, mas com segurança
A portabilidade de dados em celulares, smartphones e pocket
PCs aumenta a preocupação com a segurança.
Desavisados usuários da tecnologia Bluetooth, que permite
a troca de informações sem fio, podem capturar o
sinal de um aparelho estranho inadvertidamente. Ou, pior, deixarem
abertas portas para que outros captem o sinal de seu aparelho
e acessem suas informações.
"O usuário deve ter o cuidado de só habilitar
o Bluetooth na hora de fazer a transferência de dados, como
passar sua agenda telefônica do celular para o laptop",
explica o especialista em segurança Alexandre Freire,
um dos autores do livro Como blindar seu PC,
da Editora Campus.
Segundo Alexandre, alguns aparelhos já
saem de fábrica habilitados, e se tornam presas fáceis
quando nas mãos de usuários menos preocupados com
questões de segurança.
Outro cuidado é mudar o código PIN usado para autenticar
a conexão Bluetooth. Manter o número que vem de
fábrica é um convite a xeretas mal-intencionados.
Aparelhos munidos do sistema operacional Windows Mobile 5 permitem
usar um recurso a mais, o modo ‘Stealth’ (invisível).
Com ele, o aparelho fica com a conexão Bluetooth ativa,
mas não disponível para qualquer aparelho na vizinhança.
Para conectar dois dispositivos, é preciso que eles se
autorizem por meio do código PIN. Os aparelhos se comunicam,
mas permanecem invisíveis para outros.
As precauções para um usuário de Bluetooth,
explica Alexandre Freire, são semelhantes
as que deve ter todo usuário de uma rede sem fio. Ambientes
públicos, como aeroportos, são apreciados por surrupiadores
de dados. ‘É fácil fazer uma varredura em
locais assim e encontrar laptops vulneráveis ao roubo de
informações sensíveis’, conta.
A tecnologia, contudo, tem sido aprimorada e ganha mais refinamento
no quesito segurança. Graças ao uso de criptografia
no padrão Bluetooth, o roubo de informações
está cada vez mais difícil.
Como proteger sua rede sem fio
Da mesma forma que o uso do Bluetooth requer cuidados, quem instala
um ponto de acesso WiFi para não ficar preso ao cabo de
banda larga também deve cercar-se de precauções
para não dar carona a filões indesejáveis
nem deixar informações desprotegidas. A facilidade
de instalação e o descuido de usuários que
mantém as configurações default nos pontos
de acesso são um prato cheio para intrusos, explica
Freire.
Antenas usadas para ampliar o sinal WiFi podem levá-lo
para fora de casa. A dica é usar um notebook para rastrear
até onde vai o sinal. Se ele chega no corredor do seu prédio,
por exemplo, está disponível para os vizinhos. A
solução é tirar a antena extra ou uma das
antenas do ponto.
Ao ligar o ponto, desabilite a opção broadcast
e dê um nome à rede (em SSID, Service Set Identifier).
Com isso, para acessar a rede sem fio será preciso digitar
o nome que lhe foi dado em SSID.
Usar criptografia é indispensável. Com ela, cria-se
um túnel por onde passam os dados. Os padrões mais
avançados são TKY (Temporal Key Integrity), WPA
(WiFi Protected Acess) e , WPA 2, de 104 e 256 bits respectivamente.
O padrão WEP (Wireless Equivalent Privacy) é frágil
e deve ser evitado.
Segundo Alexandre Freire, o padrão de
criptografia WEP, além de ser estático e ter apenas
40 bits, é conhecido pelos invasores. Na área de
administração do ponto de acesso, mude as senhas
do aparelho e ative os logs para registrar tudo o que acontece.
É importante visitar o site do fabricante a atualizar
o firmware, programa que roda no ponto de acesso. Faça
no ponto de acesso um filtro por MAC Address. É o endereço
físico e único da placa wireless. Assim, só
acessarão a rede os aparelhos cujos MAC addresses estiverem
listados nas configurações. Para descobrir o endereço,
vá ao prompt do DOS e digite ip config/ all.
Headsets têm código para evitar xeretas
A tecnologia é usada para a comunicação
de dados entre dispositivos móveis, como celulares e PDAs,
entre móveis e desktops munidos de um adaptador, e até
mesmo entre componentes de desktops, como mouse e teclado sem
fio.
A faixa de transmissão é centrada em 2,45 GHz.
Os aparelhos podem ser de três classes, de acordo com seu
alcance. As mais comuns são as classes 1 e 2, com alcances
de 100 metros e 10 metros respectivamente. Existe ainda a classe
3, com alcance de até 1 metro.
Os headsets, acessórios que permitem ao usuário
falar e ouvir sem precisar levar o celular ao ouvido, estão
entre os principais responsáveis pela divulgação
do padrão Bluetooth. Quanto a segurança desses acessórios,
o usuário não tem com o que se preocupar. “Cada
headset sai de fábrica com um código de quatro dígitos
na caixa, que é usado para fazer o pareamento com o celular.
E depois que eles estão conectados, não é
possível um outro aparelho ser pareado com o fone e ouvir
uma ligação telefônica”, explica Fernando
Soares, gerente de produto da Nokia do Brasil. Segundo o executivo,
os aparelhos Nokia saem de fábrica com o Bluetooth desabilitado.
Ou seja, o usuário só usa se quiser.
Fonte : Jornal O DIA impresso e digital.
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