Sem fio mas com toda segurança

Redes WiFi crescem e aparecem, mas é bom não facilitar para os ladrões de dados de plantão, configurando corretamente os pontos de acesso
Por
André Machado
Agora que o acesso WiFi está começando a bombar no Rio, vale ficar atento à segurança sem fio, já que, ao entrar numa rede wireless desprotegido, um computador pode ter facilmente seus dados acessados por crackers. Da mesma forma, configurar uma rede sem fio sem tomar certos cuidados pode levar seu desktop a ser espionado sem dó nem piedade. O especialista em segurança Alexandre Freire, um dos autores do livro "Como blindar seu PC", dá dicas sobre o tema.
Em primeiro lugar, há quem use antenas extras para aumentar a conexão da rede sem fio dentro de casa, explica ele. Mas essas mesmas antenas podem fazer o sinal "transbordar" para fora dos limites da residência e permitir que notebooks ou outros gadgets peguem carona nele. É o que se convencionou chamar de "warchalking" (a busca por redes wireless desprotegidas para navegar na web de graça) - ou "wardriving", se quem procura essas redes está de carro. O objetivo até pode ser uma inocente navegada pela internet, mas há quem procure por contas e senhas de banco gravadas no computador, dados pessoais ou de trabalho. Um perigo.
Uma voltinha com o notebook na mão
Por tudo isso, veja direitinho até onde vai a rede sem fio da sua casa. Pegue um notebook (seu ou de um amigo) e dê uma volta pelas dependências de seu prédio para ver se a rede está vazando nelas. Faça o mesmo nas ruas próximas, tomando cuidado com a segurança pública, para não perder o notebook, além dos dados... Normalmente um hotspot WiFi de mesa tem duas anteninhas e, se o alcance da rede for excessivo, é possível limitá-lo desconectando uma delas.
Outra coisa é saber mexer nas configurações do ponto de acesso. Antes de fazer isso, é preciso procurar, nas opções do aparelho no browser (esses aparelhos vêm com um endereço IP) o lugar onde se pode habilitar o "https", que permite navegação mais segura por dentro das configurações do ponto de acesso. Feito isso, continuemos.
Um bocado de usuários conecta sua rede sem fio sem esconder o que se chama
SSID (Service Path ID), o nome da rede sem fio, que informa onde ela se encontra e confirma que está no ar. Esse nome, uma vez ativado, fica como que "alardeando" a presença da rede WiFi para os gadgets em volta. É como se gritasse "me vejam, eu estou na área". Por isso, a primeira providência é desligar essa tagarelice digital, que atrai os crackers de plantão. Por exemplo, no caso de um ponto de acesso da LinkSys, basta entrar nele através do navegador internet, ir até a opção "Wireless SSID Broadcast" e assinalar "Disable". Com isso, qualquer usuário novo que deseje entrar na sua rede sem fio precisará saber o SSID dela e digitá-lo no Painel de Controle do Windows (em Conexões de Rede).
Também é bom dar uma olhada nas especificações do aparelho WiFi que se quer botar em casa e verificar se ele suporta os tipos mais recentes de criptografia, como o WPA-2. Também é importante trocar a senha de fábrica do equipamento (novamente, no nosso exemplo da LinkSys, ela aparece como senha de administração, em Administration/Management, nas configurações acessáveis pelo navegador). Finalmente, visite o site do fabricante do ponto de acesso para fazer periodicamente a atualização do chamado "firmware" - o software embutido que roda dentro do aparelho. É aconselhável fazer isso de seis em seis meses.
De olho no Bluetooth nos gadgets e smartphones
Além da segurança do WiFi, vale lembrar a do Bluetooth, tecnologia wireless que aparece, hoje, em dez entre dez dos smartphones e gadgets despejados no mercado. Os vírus sem fio se valem preferencialmente desse recursos para se espalhar. Para evitar o problema, especialistas recomendam configurar o Bluetooth para não procurar automaticamente outros aparelhos, nem permitir que seja acessado do mesmo modo. De modo geral, os celulares vêm por padrão com o Bluetooth ativado (isto é, se a operadora não o bloquear...) e basta configurá-lo para avisar antes quando outro aparelho estiver tentando se conectar ao do usuário. Assim, ele pode autorizar ou não a conexão e evitar aborrecimentos.
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Alexandre
Freire colabora periodicamente com a midia digital e impressa em
artigos em relação aos mais diferentes tópicos
de Segurança da Informação. Por diversas oportunidades
as matérias receberam destaque como matérias de capa
de diversos jornais e sites especializados em tecnologia.
Reprodução Oficial - Fonte : Jornal O Globo (impresso e digital) |