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Revista Plurale

Na praia e conectado

Por Isabel Capaverde

Assunto que ganhou destaque na imprensa nacional esta semana, o projeto Rio Orla Digital - sistema gratuito de acesso banda larga sem fio à Internet a céu aberto inaugurado no último dia 22 na praia de Copacabana, no Rio - apresenta ainda muitas arestas, segundo Alexandre Freire, consultor de segurança da informação e autor do livro "Como Blindar o Seu PC" (Editora Campus). "A democratização do uso da banda larga é o que todos nós queremos, mas não me parece muito acertada a escolha da praia de Copacabana para o local de teste da rede. Além da falta de segurança da região com alto índice de assaltos, o que não estimula as pessoas a levarem seus notebooks para a Avenida Atlântica a fim de se conectarem enquanto bebem um suco ou um chope, há também a falta de segurança tecnologicamente falando, pois os dados estão trafegando abertos pela rede, sem estarem criptografados. Ou seja, os dados estão sem proteção trafegando "em claro" como chamamos".

Desenvolvido pelo COPPE da UFRJ, com tecnologia sem fio da Motorola e financiado pela Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (SECT), com verba da Fundação Carlos Chagas de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro(Faperj) e apoiado pela prefeitura da cidade, o projeto que inicialmente está cobrindo apenas um trecho da Avenida Atlântica, deve atingir toda sua extensão até o final de agosto. Num segundo momento a conexão gratuita será disponibilizada na Baixada Fluminense. "Não conheço o projeto na prancheta, mas para um teste de avaliação do sistema eles poderiam ter começado usando em prol da segurança pública. Em cidades como Paris e Londres, a polícia e os bombeiros utilizam esse serviço, instalam câmeras para monitoramento. A wireless (rede sem fios) não é cara para implementação e manutenção", fala Alexandre.

            Apesar dos coordenadores do projeto terem anunciado que por ser uma rede pública terá restrições no tempo de uso (60 minutos por usuário), que não é para ser utilizada para transações bancárias e que breve todos os usuários serão obrigados a se cadastrar, Alexandre alerta que há mais perigos no ar. "Como a área de cobertura pega algumas ruas do bairro, qualquer um pode muito bem instalar uma antena em um prédio e criar uma rede falsa no meio das verdadeiras. O usuário ao se conectar pela rede falsa terá seus dados capturados. Como os dados estão trafegando sem criptografia o usuário acabará com seu id e sua senha copiados. Ele passará a ser monitorado pelo hacker e em algum momento fará uma transação bancária ou uma compra pelo comércio eletrônico e poderá ser vítima de roubo. Mesmo com a criação do cadastro serão necessários outros mecanismos de segurança. Conhecer o usuário não é o mesmo que conhecer o seu comportamento", esclarece o consultor.

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Alexandre Freire colabora periodicamente com a midia digital e impressa em artigos em relação aos mais diferentes tópicos de Segurança da Informação. Por diversas oportunidades as matérias receberam destaque como matérias de capa de diversos jornais e sites especializados em tecnologia.

Reprodução Oficial - Fonte : Revista Plurale (impresso e digital)

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