Urna biométrica torna eleição mais segura

Utilização do equipamento terá novidades para o próximo pleito em outubro,
entre elas a impressão digital
Por Patricia Knebel
Foto dos eleitores no terminal
dos mesários, especificações mais
seguras e maior velocidade no
processamento dos votos são algumas
das novidades prometidas
pelo Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) para o novo modelo da
urna eletrônica brasileira. O
equipamento, que já poderá ser
usado nas próximas eleições, em
outubro, traz mais novidades. E
a mais perceptível delas para os
eleitores é a introdução de um
novo mecanismo de segurança:
a biometria.
Em 2010, o TSE amplia o
número de municípios que participarão do projeto-piloto que
prevê o acesso ao voto através da
impressão digital. Em 2008, três
cidades participaram da iniciativa,
que no próximo pleito deve
atingir cerca de 3% dos eleitores.
Do total de 460 mil urnas eletrô-
nicas que serão usadas, mais da
metade do parque já terá essa
nova tecnologia.
No Rio Grande do Sul, a escolha
foi Canoas. Para isso, o Tribunal
Regional Eleitoral (TRE-RS)
vai realizar o recadastramento
de mais de 240 mil eleitores.
Além de revisar os dados no
cadastro eleitoral, serão colhidas
a foto e as impressões digitais de
cada eleitor.
Quem não comparecer terá
seu título eleitoral cancelado e
não poderá votar nas próximas
eleições. Os demais municípios do
Estado terão o recadastramento
definido em períodos a serem
divulgados pelo TSE após as
eleições desse ano.
O Brasil foi pioneiro no mundo
a ter 100% do seu processo
eleitoral automatizado, em 2000.
Esse ano deve marcar a maior
substituição de urnas desde
1998, quando essa tecnologia
começou a ser usada no País. A fabricante
Diebold, que desde essaépoca fornece os equipamentos
- perdendo a licitação apenas em
2002 -, vai entregar mais 165 mil
equipamentos para as eleições
2010, todos com dispositivos
biométricos.
A ideia é fazer reposição de
algumas das máquinas mais
antigas, além de atender à expansão do volume de eleitores.
Nos próximos anos, todas serão
substituídas. A biometria representa
o grande salto tecnológico
da urna eletrônica dos últimos
anos, observa o consultor do
Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (INPE) para projetos
da urna eletrônica, Antonio Esio
Marcondes Salgado.
Ele explica que essa tecnologia
Meta do Tribunal Regional Eleitoral é recadastrar mais de 240 mil eleitores em todo o Estado
Diebold entregará 165 mil unidades
Aproximadamente 90% das urnas
eletrônicas usadas hoje no Brasil foram
produzidas pela Diebold. A equipe de
desenvolvedores da fabricante já está
trabalhando para a entrega de 165 mil
unidades para as próximas eleições.
Entre as novidades, o eleitor encontrará uma tela colorida e maior. O terminal
do mesário agora conta com um display
LCD de 2 polegadas para conferência da
foto do eleitor. O vice-presidente de tecnologia
da Diebold, Carlos Alberto Pádua,
diz que o foco é atender às novas especifica
ções do TSE. Um cuidado todo especial
foi dado para a segurança. O novo modelo
cria mais um nível de segurança
para evitar que alguém vote no
lugar de outra pessoa. No futuro,é possível que a biometria possa
tornar o processo eleitoral brasileiro
mais sofisticado permitindo,
por exemplo, uma maior mobilidade
aos eleitores.
Assim como aconteceu com os
computadores convencionais, a
tecnologia embarcada na urna
eletrônica também foi evoluindo
nos últimos anos. A capacidade
de processamento, memória e
desempenho foram alguns dos
atributos melhorados. Em 1998,
o processamento de um voto
levava dois minutos. Para esse
ano, a meta é reduzir pela metade
esse tempo. Também foram
sendo incluídos mecanismos de
segurança mais sofisticados.
Hoje, por exemplo, não é possível
desmontar a urna sem que os
técnicos do TSE percebam que
isso foi feito. Para 2014, o desafio
do INPE é encontrar uma forma
de viabilizar tecnicamente que o
dispositivo que liga o terminal do
eleitor ao do mesário seja desligado,
uma determinação da lei.
De acordo com Salgado, a
opção de usar internet sem fio
está praticamente descartada. Alguns lugares de votação são
inóspitos e não teríamos como
chegar com essas tecnologias
até lá, observa. Além disso, ele
afirma que não existe coerência
em oferecer internet em escolas
apenas no dia das eleições.
TSE realiza teste de fogo contra fraudes
Para testar a segurança do modelo
brasileiro de urna eletrônica, o TSE realizou
no final do ano passado um teste
público de segurança nos softwares e em
componentes do sistema eletrônico de
votação. Puderam se inscrever pessoas
das áreas de ciência da computação,
segurança da informação, engenharia
eletrônica e de redes, tecnologia da informa ção e auditoria.
O objetivo era o de tentar violar o
sistema eletrônico para provar que é
possível destinar parte da votação de um
candidato para outro. Ou, ainda, provar
que é viável identificar como votou determinado
eleitor. Os testes verificaram
a segurança do sistema.
O consultor do Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE) para projetos
da urna eletrônica, Antonio Esio
Marcondes Salgado, relembra que, em
um dos testes, um rapaz colocou uma
antena de rádio do lado do teclado para
ver se ele captava algum sinal e, com
isso, poderia identificar o andidato
votado. Tecnicamente, sabe-se que os
equipamentos eletrônicos geram ruído
e, se for colocada uma antena próxima, é possível captar algo.
Mas o especialista explica que isso só
seria possível se a área fosse totalmente
isolada. Uma urna é segura porque tem
os requisitos de segurança dela e todo
um entorno.
Não podemos imaginar a
cena de uma pessoa indo votar com uma
antena na mão e colocá-la a 30 cm do
teclado sem que as pessoas percebam,
observa.
O consultor de segurança da informação e autor do livro Como Blindar
o seu PC, Alexandre Freire, critica o
excesso de burocracia exigido pelo TSE
para o credenciamento dos especialistas
chamados. Era necessário, por exemplo,
indicar o software que seria usado para
realizar os testes, a metodologia, o plano
de trabalho para a execução e a indicação
de base científica. Se era para submeter
a urna a uma prova de fogo, não deveriam
ter sido criadas dificuldades para
que os hackers e a turma da pesada
mesmo participasse, sugere.
Retornar Página Colaborações com Imprensa
Alexandre
Freire colabora periodicamente com a midia digital e impressa em
artigos em relação aos mais diferentes tópicos
de Segurança da Informação. Por diversas oportunidades
as matérias receberam destaque como matérias de capa
de diversos jornais e sites especializados em tecnologia.
Reprodução Oficial - Fonte : Jornal do Comércio |