Jornal do Comércio
VOIP é atrativo, mas oferece riscos

Por Maria Fernanda Delmas
Tecnologia de voz sobre protocolo de internet (VoIP) parece
ter caído com uma salvação para os usuários.
É uma tecnologia emergente, que traz benefícios
significativos para os consumidores e se torna cada vez mais
acessível.
O usuário pode fazer a ligação de um computador
para outro a custo zero ou para um telefone de qualquer parte
do mundo pela metade do preço que hoje é oferecido
pelas empresas de telefonia. Mas, nem tudo é perfeito
e especialistas começam a alertar sobre a importância
da segurança.
A premissa é de que os problemas do mundo da voz são
semelhantes aos dos dados. E podem ser até piores, já
que o fraudador não precisa ligar os fios dentro de um
ramal físico para permitir uma escuta telefônica
como no modelo tradicional. Na rede virtual de voz, um hacker
pode usar bem menos artifícios para conseguir fazer esta
interceptação. "A verdade é que são
poucas as informações que se tem sobre a arquitetura
dos softwares que oferecem esses serviços de voz sobre
dados", afirma o especialista em segurança e infra-estrutura,
Alexandre Freire. Tecnicamente, este tipo de
produto, quando roda em uma máquina com IP válido,
visto por toda a internet e sem firewall (barreira contra vírus)
transforma a máquina em um "supernó"
de rede e a usa para ajudar nas suas próprias conexões,
criando mais pontes entre elas.
A privacidade do usuário, com tal processo, pode ficar
comprometida. Sistemas como o Skype - o popular serviço
de voz sobre dados que já tem mais de 120 milhões
de downloads no mundo - possuem uma qualidade excepcional na
compressão de voz. Mas, por outro lado, não são
soluções abertas. "Representantes dessas
empresas dizem que o sistema é criptografado, entretanto,
não temos como saber se isto realmente acontece",
relata. Um estudo feito recentemente por um especialista do
Massachusetts Institute of Technology (MIT) destacou que não
há indícios de que o software use este sistema
de segurança. E, sem essa camada criptografia, Freire
diz que são grandes os riscos de que seja instalado no
computador um software capaz de capturar as informações,
montando pacotes que permitam que a conversa seja ouvida. "Quando
o internauta navega na internet, ele tem que buscar sites que
tenham o https, que indica que ele está em um ambiente
seguro. No caso do VoIP, ele também tem que se certificar
de que o sistema é confidencial", sugere.
No caso do Skype, Freire diz que o agravante
é que existe uma associação entre o software
e o Kazza, programa de música baseado no sistema Pear
to Pear (P2P), que permite a troca direta de qualquer tipo de
arquivo entre usuários que estão conectados no
mundo todo. "Como a solução usa a internet
para trafegar, os usuários podem estar conversando e,
ao mesmo tempo, trocando arquivos de imagens e músicas.
Neste caso, o perigo de contaminação é
potencializado", alerta. Freire indica
que deve-se tomar um maior cuidado no segmento corporativo,
em que a perda de informações e o risco de espionagem
industrial podem se tornar um grande problema para as empresas.
Os grampos na telefonia IP, apesar de serem pouco divulgados,
existem. E o pior é que eles Rodem ser feitos de qualquer
lugar do mundo, caso os cuidados dos usuários, provedores
e empresas não sejam tomados. O diretor executivo da
Trellis, Cássio Spina, defende que o VoIP oferece mais
segurança do que uma ligação comum, na
medida em que exige um maior conhecimento e técnica para
que seja possível interceptar uma ligação.
Mas ele admite que as soluções de hardware são
mais seguras do que as de software, como o Skype. "Elas
são mais vulneráveis do que os sistemas como os
nossos, que usam equipamentos que conectam à internei",
diz. Estas soluções, inclusive, são mais
indicadas para o uso corporativo.
Sucesso da tecnologia faz operadoras buscarem novo mercado
A tecnologia de voz sobre protocolo de internet (VoIP) - na
sigla em inglês - é um exemplo clássico
da força do consumidor: a história começou
com um ou outro falando sobre o Skype - uma empresa que usava
uma tecnologia nova que permitia fazer ligações
DDD e DDI com uma economia brutal - depois começaram
a pipocar outras empresas especializadas em telefonia pela internet
e, no fim; até as grandes telefônicas se renderam,
anunciando que não vão ficar fora desse mercado.
Os cálculos sobre a economia que a VoIP pode gerar para
o usuário em DDD e DDI vão de 40% a 90%.
A consultoria especializada em tecnologia IDC Brasil projeta
que em 2009 as concessionárias de telefonia fixa podem
perder até 29% da receita de voz de consumidores residenciais
e 36,3% dos corporativos para a tecnologia. As concessionárias
de telefonia fixa têm mesmo de se mexer. Imaginando-se
uma perda média de 30% sobre a última receita
disponível, a de 2004, ela poderia variar de R$ 12,5
bilhões a R$ 15,5 bilhões. A IDC calculou que
a receita de voz das concessionárias foi de R$ 41,8 bilhões
no ano passado. Mas um estudo de outra consultoria, a Accenture,
mostra que a receita bruta total de Telemar, Telefônica,
Brasil Telecom e Embratel foi de R$ 60,5 bilhões, e 86%,
ou R$ 52 bilhões, seriam vinculados à voz. Com
os serviços que já estão alardeando, elas
mesmas podem abocanhar parte desse mercado.
O sócio-diretor da consultoria Accenture, Petronio Nogueira,
ressalta que globalmente a receita de voz tradicional está
estagnada por vários fatores, como e-mails e programas
de troca instantânea de mensagens, além do VoIP
e do celular. O estudo do IDC mostrou que 98% dos usuários
domésticos de VoIP não pretendiam abandonar seus
telefones fixos ou celulares. Mas aos poucos eles vão
substituindo serviços. Especialistas calculam que há
mais de cem empresas oferecendo VoIP, entre as oficiais, que
têm licença do governo, e as não oficiais.
A concorrência só cresce e o ambiente é
fértil. As empresas autorizadas pela Agência Nacional
de Telecomunicações (Anatei) a prestar Serviço
de Comunicação Multimídia (SCM) são
cerca de 300 e os usuários de banda larga já beiram
os 3 milhões no País. Um modero para banda larga,
que chegou a custar R$ 1,5 mil, hoje é vendido por um
décimo desse valor. Segundo a IDC, entre usuários
de internet por banda larga e acesso discado, no meio do ano
já havia 2 milhões de clientes de softwares gratuitos
de VoIP, número que pode dobrar até 2009. As operadoras
de telefonia exigem regras mais rígidas. Luiz Cuza, presidente
da TelComp - associação que reúne operadoras
- diz que essas licenças de SMC foram dadas em 2001,
mas até hoje não há regras. Por outro lado,
a Anatei diz que a VoIP é uma tecnologia nova; não
um novo serviço. "A tecnologia atropela a regulamentação",
reconhece Ronaldo Labrudi, presidente da Telemar. Das operadoras
de telefonia fixa, quem saiu na frente no segmento doméstico
foi a GVT, empresa-espelho da Brasil Telecom (BrT).
Este mês ela lançou a Vono, que nasce como subsidiária
para VoIP. A BrT vai lançar o Voip Fone e deve oferecer
ligações com tarifas até 40% mais baratas
que as convencionais. A Embratel pretende lançar, em
parceria com a Net, um novo serviço de voz, chamado de
triplo play (inclui tevê, banda larga e telefonia). Garante
que os preços serão mais competitivos que os das
demais operadoras fixas. E a Telefônica pretende lançar
no próximo semestre, o VoIP para consumidor residencial.
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Alexandre
Freire colabora periodicamente com a midia digital e
impressa em artigos em relação aos mais
diferentes tópicos de Segurança da Informação.
Por diversas oportunidades as matérias receberam
destaque como matérias de capa de diversos jornais
e sites especializados em tecnologia.
Reprodução Oficial - Fonte :
Jornal do Comércio (impresso e digital) |
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