InformationWeek
IDS na Mira

Por Carlos Eduardo Valim, InformationWeek
A polêmica está armada. Talvez não exista
tecnologia para a segurança das informações
que cause mais controvérsias que a de intrusion detection
system, mais conhecida como IDS. Após se alardeada como
uma solução do futuro para solucionar grande parte
das ameaças aos ambientes tecnológicos, a tecnologia
sofreu com uma série de reclamações quanto
a suas funcionalidades e gerou uma certa decepção
no mercado. E isso tudo antes mesmo das ferramentas terem atingido
seu pico de vendas . Só neste ano as fornecedoras começaram
a ver altos níveis de procura por essas soluções.
Contribuindo para a polêmica, teve papel principal um
estudo publicado pelo Gartner, no terceiro trimestre deste ano,
que foi a mais crítica das avaliações sérias
da tecnologia. Apesar da consultoria defender sua importância
e mesmo capacidade quando bem configurada, apontou diversos
problemas que arregalaram os olhos de alguns usuários
e provocaram reação dos fornecedores.
Um IDS tem fundamentalmente três funções:
conseguir informações sobre os eventos ocorridos
por meio de um sensor, fazer uma análise preliminar dos
dados e dar início a uma resposta, que pode ser um simples
alerta, quando acredita que há uma intrusão em
curso. Mas eles estariam cumprindo suas funções
com eficiência? Segundo a conclusão do estudo do
Gartner, não. A consultoria escreve que, apesar da tecnologia
ter melhorado dramaticamente e poder monitorar o tráfego
de rede e auditar logs de host para descobrir ameaças,
ainda não é uma solução bem-sucedida.
Primeiro, por necessitar de complementos, como firewall, software
anti-virus e outros produto para endereçar vulnerabilidade.
E, segundo, porque mesmo conseguido descobrir vários
ataques, deixa passar outros, de criar muitos falsos alarmes.
Por isso, precisaria sempre de uma equipe tecnicamente qualificada
para customizar e afinar a ferramenta, pronta para analisar
cada alerta. Assim, em muitos casos, o IDS se constituiria em
algo custoso e pouco eficiente. O conselho do Garner é
procurar uma solução mais ampla que inclui as
capacidades de prevenção de intrusão. Para
quem não pode ser uma equipe se segurança ou mais
soluções de IDS, indica serviços de monitoramento
gerenciamento e segurança.
A própria ISS, que se orgulha de ser a criadora do conceito
e da tecnologia, afirma, por meio do diretor técnico
Marcelo Bezerra, que concorda com o diagnostico do Gatner, senão
com a receita. “ Todo o diagnostico foi correto . Há
falsos positivos de limitação do uso de banda
– a ferramenta não conseguia monitorar gigabti.
Mas Não se pode confundir o produto IDS com a tecnologia
IDS”, afirma. Para a industria, a maior parte desses problemas
foram sanados nos últimos releases e o conceito ainda
tem muito a oferecer no futuro. Alguns benefícios são
óbvios a todos. A presença de um IDS é
uma forma de inibir comportamento malicioso interno. Também
detecta buracos em outras ferramentas, que não podem
ser evitados, como patches não instalados ou a necessidade
de deixar aberta uma vulnerabilidade para não prejudicar
certo negócio, além de perceber exames de falhas
que precedem ataques, documentar a ameaças existentes
e ajudar na resposta a incidentes ou a reunir dados para procedimentos
criminais e disciplinares. Mas, quando a cada uma das reclamações
feitas por usuários? Como a industria tem se posicionado?
Vamos a elas:
Falsos Alarmes
A principal alegação dos críticos do IDS
é o numero de falsos positivos. Isso acontece quando
o sensor não está suficientemente bem configurado
começa a disparar alerta por não diferenciar trafego
normal de um verdadeiro ataque. Segundo o Gartner, há
muito mais alertas que instruções. Quando uma
empresa tem indícios de 0,1% de falsos positivos por
um milhão de sessões, já seriam 100 erros.
Se esse for o índice em uma empresa, haver a tendência
de minimizar os alertas, deixando passar um ataque real , ou
mesmo afinar demais o IDS, o que poderia fazer a ferramenta
não pegar certos tipos de eventos.
As fornecedoras admitem, com unanimidade, que os casos de falsos
positivos acontecem, mas defendem que houve muita evolução
nos últimos tempos. Segundo Bezerra, da ISS, hoje a ferramenta
mais usada primordialmente em rede, o que causou os problemas
“A ISS vem trabalhando há dois anos para aperfeiçoar
a tecnologia”, diz. O foco maior foi fazer a correlação
de eventos de diversos sensores. O executivo diz que com as
mudanças diminui-se em 70% a quantidade de eventos que
o operador precisa tratar e quase a totalidade dos falsos positivos.
Tráfego criptografado
Os Ataques podem ser carregados dentro de sessões VPNs,
SSL ( secure socket layer) eIpsec ( Internet Protocol security).
Mas um senso NIDS ( network IDS) não pode fazer inspeções
dentro de pacotes encriptados. Outro problema seria não
poder monitorar tráfego confiavelmente acima de 600 Mbps.
Mesmo os sistemas que prometem conectividade próxima
a 1 GB, não conseguiriam ter performance do mesmo tamanho.
Algumas ações para melhorar essas capacidades
já estão andamento. A ISS, com seus último
aprimoramentos, aumentou o suporte para até 1,2 GB de
rede, por exemplo. E a forma de identificar ataques também
é diferente. “Os IDSs pegam usualmente parte do
tráfego, mas mudamos para a analise de protocolos. Não
importa como o ataque é escrito, a detecção
agora é feita pelo comportamento das redes”, Explica
Bezerra.
Respostas Ativas
Muitos administradores estão desabilitando a resposta
ativa, que consiste em o sensor se comunicar com um firawall
ou roteador para que esses possam criar certas políticas
de segurança. Isso porque, como no exemplo dado pelo
Gatner, se um ataque vem de um sistema de universidade, ele
pode criar uma regra que barra todas as mensagens vindas do
local. A capacidade também pode ser usada por hacker
para fazer ataques de denial of service.
Configuração é tudo, em IDS. Algumas fornecedoras
prestam até mesmo consultoria para a implementação
eficiente das ferramentas. “As empresas sabem que precisam
fazer um consultoria externa”, diz o gerente de engenharia
de sistemas da Network associates, José Antunes. “
Não dá mais para colocar todas as regras funcionando
e depois ir desligando quando começam problemas”.
Intervenção humana
O IDS descobre um ataque em curso e pode até oferecer
o endereço IP do invasor, mas os administradores precisam
por conta própria investigador o evento, como aconteceu
e reparar a vulnerabilidade. Assim, é necessário
ter pessoas com capacidade, conhecimentos e disponibilidade
para reagir.
Os pleyers de segurança sabem ter um equipe com qualificação
é de fato uma necessidade e é custoso. Segundo
o vice-presidente de marketing da Computer Associates César
Zarza, é realmente preciso um time grande para identifique
ataques e vulnerabilidades. A solução da empresa
é oferecer esse serviço terceirizado.
A monitoração também deve ficar mais simples.
O consultor de segurança sênior da Schlumberger
Network and Infrastructure Solutions, Alexandre Freire,
defende que a evolução do IDS já permitem
sua monitoração em um único console centralizado,
gerenciando a correlação de eventos. “ O
uso de IDS é muito tranqüilo. Cada vez precisa-
se menos especialistas para operar”, contra o consultor
de segurança sênior da Open Communications Security,
Paulo Braga. “ No desenvolvimento, é importante
ter apoio de empresas e experts, depois a operação
fica fácil.”
Função Limitada
A ferramenta não pode ser pensada como uma solução
única. Para fazer uma proteção eficiente,
precisa ser combinada a firewalls, VPNs e produtos anti-vírus.
Só assim se pode ter a chamada “segurança
em profundidade”.
Ninguém acredita que um IDS resolvera todos os problemas,
mas o mercado argumenta que a ferramenta não deve ser
cobrada por isso e enfatiza que há evolução
para que a solução protagonize outras funções
ou atue de modo bem integrado. “ Faço um paralelo
entre o gerenciamento de segurança de sistemas”;
Afirma Facciolli, gerente-geral da NetIQ. “ É impossível
nos dois campos, que só uma solução resolva
tudo. Quanto mais complexo o ambiente. Mais crítico o
uso de ferramentas complementares.”
Para Freire, da Schlumberger, a ferramenta
fica cada vez mais completa. Ele afirma que a solução
evoluiu para ser mais que sensores de rede, tanto que viraram
appliances, com sistema operacional próprio dentro de
um hardwere. E a evolução já está
prometendo a chegada em alguns anos no conceito de IPS ( intrusion
protection system), que além de idwntificar, vai barrar
ameaças.
Alexandre
Freire colabora periodicamente com a midia digital e
impressa em artigos em relação aos mais
diferentes tópicos de Segurança da Informação.
Por diversas oportunidades as matérias receberam
destaque como matérias de capa de diversos jornais
e sites especializados em tecnologia.
Reprodução Oficial - Fonte :
InformationWeek - (digital)
http://www.informationweek.com.br/noticias/artigo.asp?id=43931
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