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Brasileiros dão show e vencem um dos mais importantes
eventos de segurança tecnológica do mundo

Por Fábio Cavalcante
Convocados a participar do último congresso do SANS
- System Administration, Networking and Security Institute,
um dos mais conceituados institutos de pesquisa e educação
no campo da segurança tecnológica do mundo, instituto
norte-americano que reúne 150 mil profissionais de segurança,
os Analistas de Segurança Alexandre Freire e
Denis Vieira, 26 e 25 anos, respectivamente, embarcaram para
a Flórida fazendo estréia na competição
tendo um objetivo em comum, trabalhar juntos para levar promover
o nome do Brasil no cenário mundial de segurança
da informação.
Todo ano, paralelo a sua conferência anual, o Sans promove
uma competição de invasão de sistemas para
quem estiver interessado. Para isso, seus especialistas montam
redes as mais protegidas e ligam o fio na tomada da Internet,
convidando os atendentes da conferência a violá-lo.
Obviamente, máquinas preparadas por gente como eles não
são páreo para iniciantes ou amadores.
Os cariocas Alexandre e Dênis, que trabalham
na Módulo Security Solutions, sumidade em segurança
da informação no Brasil, são o que no mundo
dos zeros e uns chama-se white-hat hacker, hackers de chapéu
branco, em oposição aos de preto. Ao contrário
dos vilões anônimos da Internet, seus nomes são
conhecidos e seus talentos servem a quem tem uma rede e precisa
defendê-la. Eles são responsáveis por garantir
a segurança de corporações e instituições.
Em outras palavras, o imposto de renda de cada um ou a integridade
de movimentações bancárias e sites de comércio
eletrônico pode, em último caso, depender de um
deles.
A competição, batizada como IDNET, visa testar
sistemas de segurança montando redes de empresas fictícias
que os analistas - hackers do bem de todas as partes do mundo
- tentam invadir, burlando firewalls e outras defesas. A edição
2002 contou com maior complexidade dos organizadores, que segmentaram
a rede simulando o ambiente de comunicação entre
duas empresas fictícias, onde os participantes optavam
por "trabalhar" em uma das empresas com objetivo de
invadir os computadores da "empresa rival".
Mas a grande surpresa ficou por conta de uma terceira rede,
intermediária, que servia de gateway (ponte). Batizada
de Attackers Net, a rede contava com diversos expositores, os
chamados vendors, que demonstravam seus sistemas de detecção
de intrusão e configuravam os sistemas para derrubar
as conexões previamente identificadas por estes sistemas
como tentativas de ataque. Na topologia da competição,
cada empresa tinha sua respectiva estrutura (firewall, rede
interna e DMZ - acrônimo para área "desmilitarizada").
O IDNET foi realizado durante os dois últimos dias de
congresso na conferência anual do SANS Institute e logo
no primeiro dia de competição, Alexandre
e Denis abocanharam a vitória - nada mal para uma estréia
em um evento deste porte. Mas o brilho da vitória não
para por aí, os novatos na competição ganharam
quebrando inclusive records de tempo de invasão e do
nível de criticidade dos servidores invadidos. Em aproximadamente
dois minutos e meio, Denis já havia comprometido um servidor
Windows 2000:
DMZ é a parte da rede em que se colocam os servidores
vistos externamente pela web, protegidos pelo firewall. O IDNET
se resumia a atacar a DMZ para chegar à rede interna
da outra empresa fictícia, Quando liguei meu notebook
na rede, verifiquei que o protocolo DHCP, responsável
por distribuir automaticamente o endereço IP a ser utilizado
por cada estação, apresentava problemas. Verificando
a demora, iniciei o procedimento de capturar pacotes e identificar
o tráfego de dados que fluia através da mesma.
Identificando o endereçamento IP do Firewall, foi possível
veriificar as máquinas da DMZ e, através do mapeamento
de vulnerabilidades do Windows 2000, ganhar o prompt do sistema
operacional.
Enquanto Denis já comemorava o feito, sendo o primeiro
vencedor do dia, Alexandre trabalhava para
seguir o caminho da vitória e, de uma só vez,
conseguiu dois feitos inétidos para uma competição
desta natureza : invasão à rede sem fio e comprometimento
de um servidor Mandrake Linux, considerado a distribuição
Linux mais segura do mundo. Os analistas concluíram o
primeiro dia como os únicos vencedores da competição:
- Devo admitir que senti um frio na barriga depois de ligar
o notebook. Olhei para o lado e vi os demais participantes do
evento e dezenas de pessoas que passavam pelo pavilhão
de exposições. Muita gente ficou atrás
de mim vendo e comentando meus passos. Fiquei muito feliz quando
o Denis entrou na máquina em menos de três minutos,
ele estava mais calmo e isso me deu forças para pensar
na estratégia de atuação diante de todo
aqueles computadores. E foi justamente nesse momento que consegui
identificar um Access Point de um vendor famoso na rede de exposição,
a chamada Attackers Net.
Alexandre conseguira mapear o Access Point,
dispositivo de acesso para redes sem fio de uma das maiores
empresas de conectividade do mundo, entrando no equipamento
e descobrindo, através do ambiente de rede sem fio, um
servidor Windows 2000. Mas para a sua surpresa, ao identificar
o usuário e senha para invasão ao servidor através
de técnicas específicas, o mesmo foi surpreendido
pela queda da rede sem fio, indisponiibilizando o acesso ao
servidor:
- Quando entrei no Access Point do vendor, um dos funcionários
desta empresa saiu correndo para desligar a rede sem fio derrubando
meu acesso. Ele estava atrás de mim olhando nosso desempenho.
Fiquei muito aborrecido pois isso foi apelação.
Tinha mapeado o usuário e senha para ganhar acesso pleno
no servidor. Considerei o servidor invadido e o ambiente comprometido,
porém os organizadores da competição não
queriam me dar a vitória.
O aborrecimento devido a apelação do fabricante
que desligara a rede wireless, e da organização
do evento que não queria reconhecer a vitória
de Alexandre foi decisiva para que o mesmo
pudesse prosseguir sua busca através do mapeamento de
vulnerabilidades dos servidores. E foi justamente através
deste mapeamento que Alexandre chegou a um
Mandrake Linux, considerado um dos sistemas operacionais mais
seguros do mundo. Através de um ataque de força
bruta foi possível identificar a senha do usuário
root e acessar o servidor via SSH:
- Muita gente esqueçe que o usuário root
possui caixa-postal e que a senha da mailbox é a mesma
de acesso ao terminal. Quando encontrei o serviço de
POP3 aberto, iniciei um processo de força bruta para
tentar a identificação da senha do usuário
root. Enquanto fazia os testes, procurava por outras portas
abertas e possíveis bugs nas versões do Apache
e PHP que pudessem me levar a exploração de um
buffer overflow. Com um pouco de sorte, em poucos minutos comprometi
o servidor entrando no shell do Mandrake.
Alexandre e Denis foram para o congresso do
SANS para participar de conferências para certificação
e capacitação em Unix e Sistemas de Detecção
de Intrusão, respectivamente. O objetivo de ambos os
analistas é a formação de Security Engineer
do SANS Institute, que é atribuída aos profissionais
de segurança que fecharem os 05 tracks de segurança
da informação oferecidos pelo Instituto. Alexandre,
que já possuí a certificação de
Firewall, VPN e Defesa de Perímetros explica a importância
da certificação do instituto:
- O SANS na minha opinião é referência
mundial no que se diz respeito à processos educacionais
voltados para segurança da informação.
O material didático é de excelente qualidade onde
o profissional de segurança tem aula com os principais
nomes de segurança do mundo. No track que o Denis fez,
por exemplo, quem dava aula de IDS era o criador do melhor IDS
do mundo, o Snort! Existem outros eventos de segurança
excepcionais como Blackhat com palestras interessantes mas nenhum
se preocupa em educar no sentido de preparar o profissional
para o dia a dia. Só lamento pelos custos para um processo
de certificação que são altos, sem um auxílio
da empresa é impossível embarcar pois temos despesas
de avião, hotel e do congresso que é caro (aproximadamente
U$ 2.500).
Colegas de trabalho e acima de tudo amigos, Alexandre
e Denis comemoraram a vitória extendendo por mais uma
semana a permancência em território americano.
Alexandre
Freire colabora periodicamente com a midia digital e
impressa em artigos em relação aos mais
diferentes tópicos de Segurança da Informação.
Por diversas oportunidades as matérias receberam
destaque como matérias de capa de diversos jornais
e sites especializados em tecnologia.
Reprodução Oficial - Fonte :
Portal IBEST Imasters - (digital)
http://www.imasters.com.br/artigo.php?cn=420&cc=2
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