O Globo Informática
Etc..
Cuidado com as fraudes no e-mail

Por André Machado
A insegurança na internet só faz aumentar. Prova
disso é a sentença do especialista do ramo Tim
McCormick, vice-presidente de desenvolvimento e estratégia
corporativa da Internet Security Systems (ISS), uma das maiores
empresas de segurança do planeta, recém-adquirida
pela IBM:
— Segundo estudo recente da OMC, em breve a fraude criminal
online vai ultrapassar o tráfico de drogas em termos
de impacto econômico no mundo — diz Tim.
De fato, as coisas mudaram. Os hackers, antes mais voltados
para competições entre si e pichações
sem maiores conseqüências, estão sendo cooptados
para o crime, para roubar dinheiro e informações
que levem ao dinheiro. Não por acaso, segundo Tim, o
negócio de segurança da informação
move hoje US$ 18 bilhões por ano (e essa taxa aumenta
10% todos os anos).
— As empresas perderam US$ 50 bilhões com problemas
de cibersegurança no ano passado e estima-se que isso
crescerá 30% até o fim deste ano.
O spam é a grande porta de entrada de todo tipo de golpe
hoje em dia. Sem dúvida os hackers e crackers ainda procuram
por falhas de programação ou design num software
ou sistema operacional, mas é muito mais fácil
enviar uma batelada de emails e esperar que usuários
neófitos ou distraídos mordam a isca. No Orkut
isto não é exceção. Nas listas de
recados já é comum o envio de bilhetes com links
que escondem formatos de arquivos suspeitos, que infectam o
computador. E mesmo em nossas caixas postais já começam
a chegar mensagens falsas com o familiar assunto “Fulano
escreveu um recado para você no Orkut”. Dentro delas,
há links falsos para tentar violar o DOS do computador.
Clicar nesses links é pegar uma tecnodoença na
certa.
Alexandre Freire, veterano consultor de segurança,
gerente de soluções da DISEC Security Services
e professor convidado da pós-graduação
em segurança do NCE/UFRJ, explica que existem vários
tipos de golpes hoje em voga, vários descritos no livro.
O phishing (envio de mensagens com links para sites fraudulentos
ou vírus e worms) é o mais clássico. Sempre
atentos, os spammers enviam mensagens com temas atuais —
por exemplo, problemas no processamento de declarações
no imposto de renda, dívidas no Serasa ou no SPC, cancelamento
de títulos de eleitor por causa de supostas irregularidades
no CPF e assim por diante. Inscrições para programas
famosos de TV, promoções de passagens aéreas,
fotos sensuais, e mesmo atualizações de sistema
e antivírus podem esconder phishings. Os emais falsos
abundam — não se passa uma semana sem que haja
algum alerta corporativo contra determinada mensagem. Semana
passada foi a vez do site de e-commerce Submarino, que avisou
contra phishing com falsas promoções num site
fantasma usando a marca da loja.
O índice de phishing aumentou 18% até julho deste
ano, revelou estudo recente do Anti-Phishing Working Group (APWG).
O número de phishings reportados pelo instituto chega
a quase 14,2 mil, enquanto o de correntes e hoaxes (falsos boatos
por email) ultrapassa 23 mil. Já são mais de 150
as marcas de empresas, produtos ou sites usadas de maneira fraudulenta
em mensagens desse tipo.
Uma visita ao site do APWG revela uma quantiade interminável
de phishings, usando marcas como eBay, PayPal, AOL, Bank of
America, MSN, Amazon.com, Citibank, Verizon, Visa, Yahoo!...
e isso para ficar só na lista das mensagens em inglês.
Em português, a lista é igualmente extensa, coletada
pelo Cert.br (Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes
de Segurança no Brasil): cartões virtuais, bancos,
cobrança, discadores, pedidos de produtos, reality shows,
prêmios, empréstimos, tudo isso é usado
em phishings.
Como escapar de tudo isso? A primeira providência de segurança
básica num computador é verificar se o firewall
nativo do Windows XP, o sistema mais comum hoje, está
ativado (veja na Central de Segurança do sistema, no
Painel de Controle) e tratar de instalar uma suíte de
software para controle de ameaças na internet —
há várias disponíveis, desde as da McAfee
e Symantec até soluções antivírus
como Panda, Trend Micro, AVG, Avast, Kaspersky, Nod32 e outros.
A maioria possui recursos anti-spyware (programas-espiões
que catam nossos dados pessoais e os enviam a sites ou hackers)
e anti-spam (mensagens não-solicitadas).
A segunda é ver se o seu software tem filtros para conteúdo
na internet, especialmente controle de pais (parental control,
em inglês), para evitar que as crianças acessem
sites suspeitos. O Internet Explorer 7 já vem com um
controle antiphishing nativo, diz Alexandre Freire,
permitindo inclusive reportar à Microsoft sites potencialmente
perigosos. E o próximo Windows, o Vista, terá
com um controle de pais nativo que permite ajustar os sites
proibidos por assunto (drogas, fumo, sexo, ódio racial
etc).
Freire testou, a pedido do “Info etc”,
alguns programas de controle de pais. Segundo ele, um dos mais
completos é o CyberPatrol 7.0, que bloqueia sites inapropriados,
impede o uso de determinadas aplicações como instant
messaging, chat etc, e monitora a navegação em
geral.
— O CiberPatrol monitora inclusive os links citados dentro
de um site — diz Freire. — Se o
site tem links para páginas de sexo ou violência,
mesmo que seu conteúdo não seja proibitivo, ele
o bloqueia.
Além de diversos assuntos para bloqueio, como os mencionados
no Vista, o CiberPatrol também vigia as imagens a que
a criança tem acesso. Fotos pornográficas são
bloqueadas, por exemplo.
Outro bom programa é o Safe Eyes 2006. Bastante completo,
bloqueia sites suspeitos, permite a um pai determinar o tempo
que a criança pode passar navegando na internet, escolher
os programas que podem acessar a rede, e assim por diante. Tem
mais de 35 categorias de conteúdo censurável e
também pode ser usado em computadores Macintosh. Permite
enviar mensagens de email ou SMS para o pai em caso de alerta
e monitora arquivos compartilhados via sites P2P (peer-to-peer).
Aliás, é bom lembrar que os programas abrigados
em sites P2P vêm apresentando um índice alarmante
de cavalos-de-tróia. Portanto, baixar software, só
de fontes fidedignas.
— O único senão do Safe Eyes é que
ele não tem uma base de dados local, precisando acessar
seu servidor para checar os sites, o que pode ralentar um pouco
seu desempenho — diz Freire.
Outros programas testados por Freire foram
o Content Watch/Content Protect 2.0, o I-Shield e o McAfee Parental
Controls. O primeiro tem bons filtros de conteúdo e oferece
relatórios completos, embora peça muitas senhas
para ser configurado. Permite mudar remotamente suas preferências
via internet (como o Safe Eyes), embora o processo seja demorado.
Já o I-Shield, apesar de apregoar seu reconhecimento
de imagens, detectou no mácimo 60% das imagens de sexo
acessadas (bloqueou as mais explícitas, mas deixou passar
as eróticas). O lado bom é que manda a navegação
da criança para uma pasta disponível para o pai
no PC. Apresentou alguns probleminhas com o Windows XP SP2.
Por fim, o McAfee Parental Controls funciona muito corretamente,
mas não se integra à suíte de segurança
da empresa. Cria um administrador para a ferramenta e se integra
com os perfis do XP, permitindo escolher os níveis e
propriedades de segurança aplicáveis a cada um
— crianças, adolescentes, adolescentes mais velhos
e assim por adiante. Há filtros para chat, mensagens
instantâneas, sites e grupos de discussão. E ele
também toma conta de números de documentos que
não podem ser enviados para sites. As categorias de sites
ou conteúdos suspeitos podem ser refinadas com novo vocabulário,
em outras línguas inclusive, menos o português
(infelizmente).
A propósito, um dado importante a mencionar é
que esses programas não têm base de dados de conteúdo
em português — embora os links (URLs) falsos sejam
facilmente examináveis, o conteúdo se baseia em
outras línguas e os programas ainda falham ao avaliá-lo.
Por isso a tecnologia de controle de pais ainda é incipiente
por aqui e precisa ganhar mais impulso. (AM)
| Alexandre
Freire colabora periodicamente com a midia digital e
impressa em artigos em relação aos mais
diferentes tópicos de Segurança da Informação.
Por diversas oportunidades as matérias receberam
destaque como matérias de capa de diversos jornais
e sites especializados em tecnologia.
Reprodução Oficial - Fonte :
Jornal O Globo - Caderno de Informática (impresso
e digital) |
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