publications Alexandre Freire
Especialista Sênior em Segurança da Informação
Professor convidado do curso de Pós-Graduação em Gestão de Segurança da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Núcleo de Computação Eletrônica)

O Globo Informática Etc..

Com que antivírus

Por André Machado

Não é mais possível viver com um computador sem antivírus. Na verdade, não é mais possível viver sem antivírus, firewall, anti-spam e anti-spyware. Mas o antivírus ainda é a peça principal no quesito segurança. Até porque a internet não está para brincadeira, e - com a velocidade de conexão aumentando a cada ano - os vírus, worms e cavalos-de-tróia também ficam mais saidinhos.

Para o consultor Robert Slade, da DEC Computer User Society do Canadá, autor de livros sobre segurança computacional doméstica e instrutor da Universidade de Phoenix e do British Columbia Institute of Technology, uma proteção 100% perfeita em nossas máquinas é impossível hoje. Mas é possível, ao menos, ficar alerta.

- É preciso estar ciente do fato de que a internet é perigosa - sentencia Robert. - Mesmo que você não consiga ficar em dia sobre os perigos na rede, pelo menos se atenha às coisas que conhece e seja muito cauteloso ao ir a websites ou participar de atividades com que você não está familiarizado. Um bocado de lugares "divertidos" na net pode machucar o usuário.

Entre os robustos e os mais leves, em clima "free"

Os programas antivírus mais tradicionais e conhecidos no mercado são os da McAfee e a família Norton, da Symantec. Na verdade, embora possam ser vendidos (ou baixados) separadamente, eles fazem parte de soluções mais gordas que contêm firewall e software anti-spam, entre outras funcionalidades. Mas existem muitos outros, mais simples e inclusive freeware. Entre eles, um dos que têm a interface mais palatável é o AVG Antivírus. Ele também tem versão paga, mais robusta e com prioridade nas atualizações (a AVG separou um site só para as atualizações da edição gratuita), mas o freeware tem a leveza a seu favor.
Ao contrário de um Norton Internet Security, que, após instalado, é meio pesadão e, na inicialização da área de trabalho do Windows, fica carregando durante algum tempo, para só depois abrir uma janela de alerta sobre atualizações (avisando que é preciso baixar os updates daquele dia), o ícone do AVG já dá um avisinho rápido direto da bandeja do sistema, avisando sobre a necessidade de atualização.

Outra vantagem do AVG: enquanto as atualizações do Norton só podem ser feitas de forma "live", através de seu Live Update, conectando-se com a página da Symantec na internet, o AVG permite aos usuários que estão sem internet em casa ou com conexão discada ir a outro computador (no trabalho, por exemplo), baixar da web as atualizações numa pasta e depois levá-las para casa num pen drive.


Software para sua proteção

Pode-se usar até mais de um antivírus no micro, mas nem todos aceitam companhia O AVG ANTIVÍRUS é mais fácil de usar. Os programas da McAfee (em cima) e da Symantec (embaixo) são mais completos A opção de atualização no AVG tem dois botões, um para acesso direto à web, outro para puxá-las da referida pasta. E ele se atualiza rapidamente. Fizemos esse teste e, embora o site do AVG não recomende o download manual dos updates, ele funcionou às mil maravilhas.

A interface do AVG é seu outro ponto forte. Ela é dividida em várias "caixas" com as funções do programa, entre elas o Resident Shield, que fica monitorando os softwares do PC.

- Por falar nisso, uma boa dica aí é clicar nessa caixa, entrar nas propriedades e, nas configurações avançadas, trocar a proteção nativa do Resident Shield para proteger todos os arquivos da máquina e não só aqueles com formatos mais visados, como vem por padrão no AVG - avisa o consultor de segurança e professor da UFRJ Alexandre Freire.


Botões que ajudam a verificar arquivos

No gerenciador de updates ficam as opções de atualização que mencionamos mais acima. As funções Shell Extension e Scanner de Email criam botões no Outlook e nas abas de pastas e arquivos do Windows Explorer.

- Passa a existir um botão no email para verificar mensagens e, no Windows Explorer, quando se clica com o botão direito do mouse sobre um arquivo ou pasta, surge no menu a opção extra "escanear com AVG" - diz Freire. - Assim, esses itens podem ser varridos individualmente.

No Centro de Testes do AVG, pode-se fazer também varreduras completas do computador ou de alguma área selecionada (disquete, CD, pen drive...), além de buscar updates. Essas três opções são bem grandes e fáceis de identificar, logo na cara da interface (o Centro de Testes é acessado na barra esquerda).

Já o Norton Internet Security é mais detalhado e configurável. O Norton Antivírus é um dos programas da suíte, que se divide em Protection Center, Internet Security, Antivírus e Antispam. No centro de proteção, vê-se o que está ativado (firewall, monitoramento, etc), e a data da última verificação feita no sistema. Mesmo no software completo, é bom ressaltar, não há cobertura para recuperação de dados (ou seja, é preciso adquirir o Norton Ghost, programa da Symantec especializado nisso), e há coberturas apenas parciais para problemas de performance e navegação pela web. O software, ao menos, vigia totalmente os emails e as mensagens instantâneas. Ao instalar o software é preciso ativá-lo na web ou telefonar para um serviço automatizado na Symantec para validar sua chave com uma seqüência de códigos. Uma medida de segurança, certo, mas também uma chatice. (Entretanto, o registro através da internet é pedido pela maioria dos softwares comerciais hoje em dia. Não tem jeito.)

O segundo item, Internet Security, tem alerta contra epidemias, estatísticas de tentativas de invasão e status das configurações. Em seguida, vem o Norton Antivírus, com proteção contra worms e spywares, definições de vírus, e agendamento de scans na máquina ou em unidades de disco selecionáveis. Por fim, o Anti-spam monitora entrada e saída de mensagens.

O VirusScan da McAfee é um clássico dos antivírus. Ele fica dentro do McAfee Security Center, na Internet Security Suite, e faz um dos scans mais completos da máquina. - Inclusive, faz esse scan mesmo antes de completar sua instalação, o que é uma boa medida, já que os modernos cavalos-de-tróia podem conter recursos para brecar a ação de antivírus após instalados - revela Freire. O Security Center da McAfee também conta com firewall bidirecional (monitora o que vem da rede para o PC e o que vai do PC para a rede) e funções contra spam. O ActiveShield faz o mesmo que o Resident Shield do AVG, monitorando o sistema o tempo todo. A interface da suíte McAfee é amigável e com boa navegabilidade. A frase "I want to..." ("eu quero...") seguida das opções em cada item funciona bem para o usuário.

Existem outros antivírus, é claro. Por exemplo, o NOD 32, da Protagon/Eset Software Brasil, cuja interface é dividida em monitoramentos específicos: para documentos do Microsoft Office, para email, para a internet e contra vírus. Robert Slade recomenda os antivírus e anti-spywares da Sophos e da F-Secure. E há os programas que saíram na frente, já pensando no futuro. A Trend Micro até agora é a única softwarehouse que já adaptou sua suíte de segurança para o beta 2 do Windows Vista, o próximo membro da família Windows. O PC-Cillin Internet Security está lá, homologado no site de parceiros da MS para o Vista, em http://www.micro soft.com/athome/security/ viruses/wsc/en-us/windowsvistabeta2.mspx>. E a própria Microsoft aposta num antivírus desenvolvido por seus programadores, o OneCare Live, por enquanto sob um serviço de assinatura disponível apenas nos EUA.

Nem sempre programas funcionam juntos

Um dado a levar em consideração se o usuário deseja usar mais de um antivírus na máquina, para proteção extra, é se os programas escolhidos trabalham bem juntos. O AVG Antivírus e a suíte Norton Internet Security funcionam a contento na mesma máquina, por exemplo. O McAfee Security Center também se dá bem com o AVG. Mas o ZoneAlarm, embora seja um bom antivírus, apresenta incompatibilidade com a suíte da McAfee.

Independentemente do programa antivírus, a segurança do computador melhoraria com uma troca de sistema operacional? Usar Mac ou Linux, reconhecidamente alvos bem menores que o Windows, seria um caminho? Perguntamos ao consultor Robert Slade. A resposta não foi animadora.
- Mudar de sistema pode ajudar até certo ponto, mas o melhor mesmo é mudar de aplicativos, que dá mais proteção ao usuário médio - disse Robert. - No momento, Linux e Mac são um pouco mais seguros, mas se todo mundo mudar de sistema os invasores também acabarão mudando de alvo...

A chave mesmo é ser prudente e não mergulhar de cabeça na net.

- Não vá a qualquer site só por diversão - alerta Robert. - E cuidado com os downloads.Seja muito cuidadoso e pense bem se você precisa mesmo de mais um programa.

A questão da segurança é tão delicada que o conceito de UTM - Unified Threat Management, ou controle unificado de ameaças - começa a chamar a atenção, embora exista desde 1999. Esse conceito busca reunir soluções de segurança num equipamento à parte, semelhante a um roteador, que combina

antivírus, anti-spam, firewall e filtro de conteúdo web sob um processador dedicado a essas tarefas. Segundo Frederico Tostes, gerente regional da Fortinet, pioneira na tecnologia UTM, esse tipo de solução de hardware + software pode ir desde o home office até grandes redes. (AM)

Alexandre Freire colabora periodicamente com a midia digital e impressa em artigos em relação aos mais diferentes tópicos de Segurança da Informação. Por diversas oportunidades as matérias receberam destaque como matérias de capa de diversos jornais e sites especializados em tecnologia.

Reprodução Oficial - Fonte : Jornal O Globo - Caderno de Informática (impresso e digital)

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