O Globo Informática
Etc..
Com que antivírus

Por André Machado
Não é mais possível viver com um computador
sem antivírus. Na verdade, não é mais possível
viver sem antivírus, firewall, anti-spam e anti-spyware.
Mas o antivírus ainda é a peça principal
no quesito segurança. Até porque a internet não
está para brincadeira, e - com a velocidade de conexão
aumentando a cada ano - os vírus, worms e cavalos-de-tróia
também ficam mais saidinhos.
Para o consultor Robert Slade, da DEC Computer User Society
do Canadá, autor de livros sobre segurança computacional
doméstica e instrutor da Universidade de Phoenix e do
British Columbia Institute of Technology, uma proteção
100% perfeita em nossas máquinas é impossível
hoje. Mas é possível, ao menos, ficar alerta.
- É preciso estar ciente do fato de que a internet é
perigosa - sentencia Robert. - Mesmo que você não
consiga ficar em dia sobre os perigos na rede, pelo menos se
atenha às coisas que conhece e seja muito cauteloso ao
ir a websites ou participar de atividades com que você
não está familiarizado. Um bocado de lugares "divertidos"
na net pode machucar o usuário.
Entre os robustos e os mais leves, em clima "free"
Os programas antivírus mais tradicionais e conhecidos
no mercado são os da McAfee e a família Norton,
da Symantec. Na verdade, embora possam ser vendidos (ou baixados)
separadamente, eles fazem parte de soluções mais
gordas que contêm firewall e software anti-spam, entre
outras funcionalidades. Mas existem muitos outros, mais simples
e inclusive freeware. Entre eles, um dos que têm a interface
mais palatável é o AVG Antivírus. Ele também
tem versão paga, mais robusta e com prioridade nas atualizações
(a AVG separou um site só para as atualizações
da edição gratuita), mas o freeware tem a leveza
a seu favor.
Ao contrário de um Norton Internet Security, que, após
instalado, é meio pesadão e, na inicialização
da área de trabalho do Windows, fica carregando durante
algum tempo, para só depois abrir uma janela de alerta
sobre atualizações (avisando que é preciso
baixar os updates daquele dia), o ícone do AVG já
dá um avisinho rápido direto da bandeja do sistema,
avisando sobre a necessidade de atualização.
Outra vantagem do AVG: enquanto as atualizações
do Norton só podem ser feitas de forma "live",
através de seu Live Update, conectando-se com a página
da Symantec na internet, o AVG permite aos usuários que
estão sem internet em casa ou com conexão discada
ir a outro computador (no trabalho, por exemplo), baixar da
web as atualizações numa pasta e depois levá-las
para casa num pen drive.
Software para sua proteção
Pode-se usar até mais de um antivírus no micro,
mas nem todos aceitam companhia O AVG ANTIVÍRUS é
mais fácil de usar. Os programas da McAfee (em cima)
e da Symantec (embaixo) são mais completos A opção
de atualização no AVG tem dois botões,
um para acesso direto à web, outro para puxá-las
da referida pasta. E ele se atualiza rapidamente. Fizemos esse
teste e, embora o site do AVG não recomende o download
manual dos updates, ele funcionou às mil maravilhas.
A interface do AVG é seu outro ponto forte. Ela é
dividida em várias "caixas" com as funções
do programa, entre elas o Resident Shield, que fica monitorando
os softwares do PC.
- Por falar nisso, uma boa dica aí é clicar
nessa caixa, entrar nas propriedades e, nas configurações
avançadas, trocar a proteção nativa do
Resident Shield para proteger todos os arquivos da máquina
e não só aqueles com formatos mais visados, como
vem por padrão no AVG - avisa o consultor de segurança
e professor da UFRJ Alexandre Freire.
Botões que ajudam a verificar arquivos
No gerenciador de updates ficam as opções de
atualização que mencionamos mais acima. As funções
Shell Extension e Scanner de Email criam botões no Outlook
e nas abas de pastas e arquivos do Windows Explorer.
- Passa a existir um botão no email para verificar mensagens
e, no Windows Explorer, quando se clica com o botão direito
do mouse sobre um arquivo ou pasta, surge no menu a opção
extra "escanear com AVG" - diz Freire.
- Assim, esses itens podem ser varridos individualmente.
No Centro de Testes do AVG, pode-se fazer também varreduras
completas do computador ou de alguma área selecionada
(disquete, CD, pen drive...), além de buscar updates.
Essas três opções são bem grandes
e fáceis de identificar, logo na cara da interface (o
Centro de Testes é acessado na barra esquerda).
Já o Norton Internet Security é mais detalhado
e configurável. O Norton Antivírus é um
dos programas da suíte, que se divide em Protection Center,
Internet Security, Antivírus e Antispam. No centro de
proteção, vê-se o que está ativado
(firewall, monitoramento, etc), e a data da última verificação
feita no sistema. Mesmo no software completo, é bom ressaltar,
não há cobertura para recuperação
de dados (ou seja, é preciso adquirir o Norton Ghost,
programa da Symantec especializado nisso), e há coberturas
apenas parciais para problemas de performance e navegação
pela web. O software, ao menos, vigia totalmente os emails e
as mensagens instantâneas. Ao instalar o software é
preciso ativá-lo na web ou telefonar para um serviço
automatizado na Symantec para validar sua chave com uma seqüência
de códigos. Uma medida de segurança, certo, mas
também uma chatice. (Entretanto, o registro através
da internet é pedido pela maioria dos softwares comerciais
hoje em dia. Não tem jeito.)
O segundo item, Internet Security, tem alerta contra epidemias,
estatísticas de tentativas de invasão e status
das configurações. Em seguida, vem o Norton Antivírus,
com proteção contra worms e spywares, definições
de vírus, e agendamento de scans na máquina ou
em unidades de disco selecionáveis. Por fim, o Anti-spam
monitora entrada e saída de mensagens.
O VirusScan da McAfee é um clássico dos antivírus.
Ele fica dentro do McAfee Security Center, na Internet Security
Suite, e faz um dos scans mais completos da máquina.
- Inclusive, faz esse scan mesmo antes de completar sua instalação,
o que é uma boa medida, já que os modernos cavalos-de-tróia
podem conter recursos para brecar a ação de antivírus
após instalados - revela Freire. O Security
Center da McAfee também conta com firewall bidirecional
(monitora o que vem da rede para o PC e o que vai do PC para
a rede) e funções contra spam. O ActiveShield
faz o mesmo que o Resident Shield do AVG, monitorando o sistema
o tempo todo. A interface da suíte McAfee é amigável
e com boa navegabilidade. A frase "I want to..." ("eu
quero...") seguida das opções em cada item
funciona bem para o usuário.
Existem outros antivírus, é claro. Por exemplo,
o NOD 32, da Protagon/Eset Software Brasil, cuja interface é
dividida em monitoramentos específicos: para documentos
do Microsoft Office, para email, para a internet e contra vírus.
Robert Slade recomenda os antivírus e anti-spywares da
Sophos e da F-Secure. E há os programas que saíram
na frente, já pensando no futuro. A Trend Micro até
agora é a única softwarehouse que já adaptou
sua suíte de segurança para o beta 2 do Windows
Vista, o próximo membro da família Windows. O
PC-Cillin Internet Security está lá, homologado
no site de parceiros da MS para o Vista, em http://www.micro
soft.com/athome/security/ viruses/wsc/en-us/windowsvistabeta2.mspx>.
E a própria Microsoft aposta num antivírus desenvolvido
por seus programadores, o OneCare Live, por enquanto sob um
serviço de assinatura disponível apenas nos EUA.
Nem sempre programas funcionam juntos
Um dado a levar em consideração se o usuário
deseja usar mais de um antivírus na máquina, para
proteção extra, é se os programas escolhidos
trabalham bem juntos. O AVG Antivírus e a suíte
Norton Internet Security funcionam a contento na mesma máquina,
por exemplo. O McAfee Security Center também se dá
bem com o AVG. Mas o ZoneAlarm, embora seja um bom antivírus,
apresenta incompatibilidade com a suíte da McAfee.
Independentemente do programa antivírus, a segurança
do computador melhoraria com uma troca de sistema operacional?
Usar Mac ou Linux, reconhecidamente alvos bem menores que o
Windows, seria um caminho? Perguntamos ao consultor Robert Slade.
A resposta não foi animadora.
- Mudar de sistema pode ajudar até certo ponto, mas o
melhor mesmo é mudar de aplicativos, que dá mais
proteção ao usuário médio - disse
Robert. - No momento, Linux e Mac são um pouco mais seguros,
mas se todo mundo mudar de sistema os invasores também
acabarão mudando de alvo...
A chave mesmo é ser prudente e não mergulhar
de cabeça na net.
- Não vá a qualquer site só por diversão
- alerta Robert. - E cuidado com os downloads.Seja muito cuidadoso
e pense bem se você precisa mesmo de mais um programa.
A questão da segurança é tão delicada
que o conceito de UTM - Unified Threat Management, ou controle
unificado de ameaças - começa a chamar a atenção,
embora exista desde 1999. Esse conceito busca reunir soluções
de segurança num equipamento à parte, semelhante
a um roteador, que combina
antivírus, anti-spam, firewall e filtro de conteúdo
web sob um processador dedicado a essas tarefas. Segundo Frederico
Tostes, gerente regional da Fortinet, pioneira na tecnologia
UTM, esse tipo de solução de hardware + software
pode ir desde o home office até grandes redes. (AM)
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Alexandre
Freire colabora periodicamente com a midia digital e
impressa em artigos em relação aos mais
diferentes tópicos de Segurança da Informação.
Por diversas oportunidades as matérias receberam
destaque como matérias de capa de diversos jornais
e sites especializados em tecnologia.
Reprodução Oficial - Fonte :
Jornal O Globo - Caderno de Informática (impresso
e digital) |
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