A Convergência das Tecnologias de Proteção de Perímetros

Por Alexandre Freire
A indústria de tecnologia da informação é, sem dúvida alguma, a indústria mais
dinâmica do planeta e segurança da informação é um dos segmentos que mais contribui
para o seu dinamismo, empurrando a indústria da moda para a segunda colocação.
Tomando carona nos indicadores de institutos como SANS, CERT entre outros, é
possível observar o aumento exponencial da quantidade de códigos maliciosos
disseminados na Internet e que contribuem para o aumento do risco de contaminação
por parte de usuários domésticos e corporativos. Nunca tantos usuários foram expostos
a pragas virtuais manifestadas na forma de vírus, worms, cavalos-de-tróia, rootkits,
adwares, spywares, phishing entre outras variantes de códigos hostis que assolam a
Internet.
A Internet traz consigo tudo de bom que a vida real tem, mas também tudo de ruim.
Afinal, ela é um espelho de nossas próprias qualidades e defeitos. E como a vida não
anda muito fácil no mundo real, não podemos deixar passar a oportunidade de
estremecer também o mundo virtual para quebrar a paz, a harmonia e desmerecer a
disseminação da cultura e do conhecimento, principal finalidade da Internet. Porém, é
fato que não existe um problema que não esteja recheado de oportunidades. Estas pragas
possuem papel fundamental na evolução das tecnologias de proteção aquecendo a
indústria e fazendo com que este dinamismo do setor seja evidente na quantidade de
produtos que periodicamente são ofertados por diferentes fabricantes. O mercado evolui
com agressividade ávido pela contenção do exército de malfeitores. Este infinito leque
de oportunidades é capaz de movimentar alguns milhões de dólares em produtos que
são comercializados para proteção de empresas e usuários finais.
Os principais problemas de segurança que acontecem nos computadores domésticos e
corporativos são causados, em sua maioria, pela falta de conhecimento do usuário sobre
os códigos maliciosos que proliferam por aí e sobre o próprio sistema operacional que
ele usa. Ainda há muito despreparo quanto a melhores práticas e procedimentos
cotidianos no computador e na navegação Internet. Na grande rede, é preciso saber mais
sobre os sites visitados, os locais de onde se baixam arquivos e programas de diversos
tipos. No computador, é preciso aprender a discernir os indícios de que há uma
contaminação e a configurar e usar softwares de segurança – antivírus, firewalls
pessoais, sistemas de detecção de intrusos, e assim por diante.
A indústria vive um grande desafio. As tecnologias de voz e dados convergiram
definitivamente em um mundo cada vez mais móvel. A quantidade de gadgets ofertado
pelo mercado é invejável. Smartphones, Pocket PCs e PDAs diminuem de tamanho para
atender em conforto e aumentam proporcionalmente em processamento e características
de conectividade. A proliferação das pragas virtuais já chegou ao mundo móvel.
Sistemas operacionais como Simbian e Windows Móbile já sofrem com a disseminação
de códigos hostis que se proliferam automaticamente a partir do uso da rede GSM, Wi-
Fi, e Bluetooth, garantindo uma nova fatia de mercado para os fabricantes que já
oferecem soluções para manutenção da paz e da ordem no mundo móvel.
Hoje, a maioria das pessoas está com seu computador (inclua-se dispositivos móveis)
contaminado sem saber. Mesmo profissionais experientes e acostumados a trabalhar online
relatam por vezes o desvio de dinheiro após um Internet banking, ou a invasão de
seus computadores por um cavalo-de-tróia. Isso acontece porque, por mais experientes
que sejam, eles não tiveram cuidados suficientes ao manipularem seus arquivos. Em
suma, definitivamente ninguém está livre de um ataque virtual. Essa afirmação é, sem
dúvida alguma, fundamental para a continuidade do investimento nas tecnologias de
proteção e serve como uma espécie de bússola para confirmar que os fabricantes estão
caminhando na direção certa. Trocando por miúdos, a indústria sempre agradecerá
enquanto o usuário final se mantiver como o elo mais fraco da corrente.
Os principais players de segurança desenvolvem suas soluções tendo o grande desafio
de prover proteção em diferentes perímetros (Internet, DMZ, rede interna, redes com
parceiros, redes sem fio, Pontos de Venda, extranet) em um cenário onde redes privadas
se tornam cada dia mais públicas. Todos estes perímetros estão expostos a disseminação
de códigos hostis ou técnicas de ataques em diferentes camadas (dados, rede, transporte
e aplicação). Por falar em segurança de camada de aplicação, nunca este tema foi tão
explorado pelos fabricantes. Trata-se do principal filão explorado atualmente graças ao
advento da voz sobre IP, instant messengers, compartilhamentos de pastas, redes peer to
peer entre outros. Não que os outros ataques tenham desaparecido, pelo contrário,
continuam em evidência. Um claro exemplo é o ataque de negação distribuído. Porém, a
indústria faz com que as atenções da segurança hoje sejam totalmente voltadas para o
usuário final e a forma com que ele interage com os sistemas e as diferentes aplicações.
Este foco sela definitivamente a necessidade dos fabricantes em criar mecanismos de
defesa mais inteligentes, autônomos e com capacidade de decisão baseado em análises
de desvios comportamentais. Entramos na era da correlação de eventos, dos sistemas de
autodefesa, das redes com defesa própria, da virtualização e na mudança no panorama
dos produtos e serviços disponíveis para proteção de sistemas.
O momento atual nunca foi tão dinâmico. A necessidade de acompanhar a evolução dos
mecanismos de defesa levou os fabricantes a diversos movimentos e adoção de
estratégias interessantes para a proteção de perímetros. No primeiro momento observouse,
por exemplo, a junção de tecnologias de Firewall e IPS. O Firewall evoluiu
gradativamente de sua função original para ter características de bloqueio de ataques.
Atualmente encontramos os sistemas de proteção baseados em caixas (appliances) onde,
cada vez mais, os fabricantes reúnem grande parte das tecnologias necessárias para
cuidar da proteção de diferentes perímetros em um só equipamento.
Pois bem, agora o podemos contar com Firewalls, IPS, VPN, Antivírus, Anti-Spam e
Filtro de Conteúdo Web dentro do mesmo equipamento. Chegamos na era do que muita
gente formadora de opinião anda chamando de “multifuncionais”. Pergunta: essa
qualificação seria um legado herdado da impressora que agregou o scanner, que agregou
a copiadora, que agregou o telefone e que agregou o fax ? Que desmerecimento!
Chamar este movimento importante e fundamental para a manutenção do zelo do
mundo virtual de multifuncionais é algo espantoso! Multifuncionais ou não, o fato é
que assim como a tecnologia convergiu voz e dados, as tecnologias de defesa de
perímetros também trilham pelo mesmo caminho. Para acompanhar a necessidade de
escalabilidade dos ambientes, do tempo de resposta aos incidentes, da correta proteção
de ambientes cada vez mais heterogêneos, da necessidade de operação contínua das
empresas, foi necessário integrar produtos e tecnologias para provimento de proteção
em múltiplas esferas. Os fabricantes apostaram nesta convergência e se movimentaram
adquirindo outras empresas ou injetando capital no desenvolvimento de soluções
próprias. Observamos diversos players, líderes de mercado com seus produtos e
soluções tradicionais, se credenciando para oferecer novos mecanismos de segurança.
Empresas tradicionais de Firewalls e VPN agora oferecem a possibilidade de Filtro de
Conteúdo ou IPS no mesmo hardware trabalhando de forma modular. É possível
compor as soluções de acordo com a flexibilidade do modelo adquirido. Observa-se
também empresas tradicionais de IPS seguindo pelo mesmo caminho uma vez que
passaram a embutir novas ofertas de proteção dentro de seus equipamentos.
Pelo lado das corporações, ninguém mais deseja ter dezenas de caixas entupindo os
racks dos datacenters onde cada caixa é responsável pelo provimento de um
determinado serviço. Além de custo com espaço, é notável a dificuldade em se
administrar tantas funcionalidades de proteção de tecnologias diferentes em caixas
diferentes, o que implica na necessidade de custos elevados também com a qualificação
de profissionais para administração do parque. Faz-se necessário garantir também a alta
disponibilidade de todas essas caixas. Então, multipliquemos as caixas por 2, no
mínimo.
A racionalização do software para explorar todo potencial do hardware dessas soluções
permite a introdução do advento da virtualização. É possível adquirir duas caixas para
desempenhar funcionalidades de Firewall e transformá-las para garantir alta
disponibilidade e balanceamento de carga de, por exemplo, em 8 Firewalls utilizando-se
o mesmo software embutido e mesma plataforma de gerenciamento.
A forma com que os fabricantes apresentam estes equipamentos seduz o mercado. A
possibilidade de compor múltiplas soluções em sistemas de segurança dentro do mesmo
hardware não é mais uma tendência, trata-se realmente de algo que veio para ficar.
Com certeza os profissionais de segurança farão a seguinte pergunta: a cartilha básica
diz que é de exímia importância a proteção de perímetros utilizando tecnologias
diferentes, uma vez que existe o entendimento natural de que aumenta a chance de um
código hostil ser detectado e bloqueado caso ele passe pelo primeiro perímetro e deparese
com outra tecnologia na retaguarda. Pois bem, é algo muito interessante e que
podemos abordar no próximo artigo. Eu já tenho minha opinião? E você?.
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